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Comunicação e Política

Caminhando com fé

Caminhando com fé 

Olá amigos leitores, a comunicação e a política são campos onde a fé se torna concreta.

Vamos conferir!

Comunicação e Política

(Postagem para blog de Teologia – Filosofia, Ética e Cidadania)

A comunicação e a política estão entre as forças mais poderosas que moldam a sociedade. Ambas dizem respeito à forma como o ser humano se relaciona: comunicar é tornar comum, partilhar ideias, sentimentos e valores; fazer política é agir em conjunto para o bem comum. No contexto teológico, compreender essas dimensões é essencial para uma fé madura e comprometida com a transformação social.


1. O ser humano como ser comunicativo

Desde o Gênesis, o homem é apresentado como um ser de relação. Deus cria o mundo pela palavra: “E Deus disse: faça-se a luz.” (Gn 1,3). A palavra divina é criadora, e o ser humano, feito à imagem de Deus, também é chamado a comunicar para construir, não para destruir.

A comunicação, portanto, é um dom e uma responsabilidade. Ela pode gerar entendimento, aproximação e comunhão, mas também pode criar rupturas, manipulação e violência simbólica. Em tempos de redes sociais e informações rápidas, a ética da comunicação se torna urgente: não basta falar, é preciso comunicar com verdade, respeito e discernimento.

Como ensina o Papa Francisco, “a comunicação autêntica nasce da escuta”. Antes de falar, o cristão é chamado a ouvir — ouvir o outro, ouvir a realidade e ouvir a voz de Deus. A escuta é o primeiro passo para uma comunicação transformadora.


2. Política: vocação para o bem comum

A política, em seu sentido mais nobre, é a arte de organizar a convivência humana, buscando o bem comum. Aristóteles já afirmava que o homem é um “animal político”, porque sua plenitude só se realiza na vida comunitária.

No entanto, a política contemporânea muitas vezes se distancia dessa vocação ética, tornando-se campo de interesses particulares, corrupção e polarização. A teologia cristã, ao refletir sobre a política, recorda que o poder deve ser serviço. Jesus, ao lavar os pés dos discípulos, ensina que a verdadeira autoridade se manifesta no servir com humildade (Jo 13,14-15).

Portanto, o cristão não deve se afastar da política, mas purificá-la. Ser cidadão do Reino de Deus é comprometer-se com a justiça, a solidariedade e a dignidade humana. A indiferença é, também, uma forma de omissão ética.


3. Comunicação e política: o poder da palavra pública

A intersecção entre comunicação e política revela o poder da palavra pública. Todo discurso político é, antes de tudo, uma forma de comunicação — e toda comunicação possui implicações políticas.

Na Bíblia, os profetas foram grandes comunicadores políticos: denunciaram injustiças, defenderam os pobres e chamaram o povo à conversão. Isaías, Amós e Jeremias não falavam para agradar, mas para transformar. Sua palavra, inspirada por Deus, tinha força de denúncia e anúncio: denunciar o mal e anunciar um novo horizonte de esperança.

Hoje, a sociedade carece de vozes proféticas que unam comunicação e ética. O teólogo que fala, o cristão que escreve ou compartilha nas redes, o líder comunitário que ensina — todos exercem poder comunicativo. É preciso usá-lo com responsabilidade e amor à verdade.


4. Ética da comunicação e responsabilidade cristã

A ética da comunicação cristã exige três atitudes fundamentais:

  • Verdade: recusar fake news, boatos e discursos manipuladores;

  • Respeito: reconhecer a dignidade de quem pensa diferente;

  • Esperança: comunicar sempre com o objetivo de construir e reconciliar.

O discurso cristão não deve ser instrumento de ódio, mas de paz. Como diz Efésios 4,29: “Nenhuma palavra má saia da vossa boca, mas apenas a que for boa para edificação.”

No campo político, isso significa exercer a cidadania com consciência, participar das decisões sociais e defender valores evangélicos de justiça, igualdade e amor. O silêncio diante da injustiça é também uma forma de comunicação — e, muitas vezes, de cumplicidade.


5. A comunicação e a política no Reino de Deus

O Reino de Deus, anunciado por Jesus, é uma nova forma de comunicação e de política. Nele, os valores do mundo são invertidos: os últimos são os primeiros, e o poder é serviço. A “política do Reino” é feita de diálogo, perdão e partilha.

Ao viver a comunicação e a política com espírito evangélico, o cristão torna-se embaixador do Reino (2Cor 5,20). Ele fala com sabedoria, age com justiça e busca sempre o bem comum. Sua palavra é semente de paz e sua ação é instrumento de reconciliação.


Conclusão

A comunicação e a política são campos onde a fé se torna concreta. Falar e agir no mundo com responsabilidade, compaixão e sabedoria é participar da missão divina de restaurar a criação.

Em uma época marcada por discursos de ódio e manipulação, o teólogo e o cristão são chamados a serem artesãos da palavra e servidores da verdade. A comunicação, quando guiada pela ética e pela fé, pode se tornar instrumento de comunhão e justiça — o verdadeiro caminho político do Evangelho.

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E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. Gênesis 1:26

Beijos no coração e caminhe com muita fé!

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